Superendividamento: Como a Lei Protege o Consumidor Endividado?
- Shirakura Advocacia

- há 10 horas
- 2 min de leitura
O endividamento faz parte da vida financeira. O problema começa quando o consumidor, mesmo agindo de boa-fé, não consegue mais pagar suas dívidas sem comprometer o mínimo necessário para sobreviver.
Foi exatamente para enfrentar essa realidade que surgiu a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181/2021) que alterou o Código de Defesa do Consumidor e criou mecanismos de proteção ao consumidor em situação de crise financeira.
Se você sente que “trabalha apenas para pagar dívidas” e mesmo assim nunca consegue sair do vermelho, este conteúdo é para você.

O que é considerado superendividamento?
A lei define como superendividado o consumidor pessoa física que, de boa-fé, não consegue pagar todas as suas dívidas de consumo, atuais e futuras, sem comprometer o chamado mínimo existencial.
Ou seja: a lei protege quem realmente não consegue pagar sem deixar de custear despesas básicas como moradia, alimentação, saúde e energia elétrica.
Importante:Não se aplica a dívidas contraídas com intenção de não pagar ou decorrentes de luxo excessivo e fraude.
Quais dívidas entram na Lei do Superendividamento?
Podem ser incluídas:
Cartão de crédito
Cheque especial
Empréstimos pessoais
Crédito consignado
Financiamentos
Carnês e crediários
Ficam de fora, em regra:
Dívidas com garantia real (como financiamento com alienação fiduciária)
Pensão alimentícia
Tributos
Quais são os direitos do consumidor superendividado?
A lei trouxe mudanças importantes:
1. Direito à informação clara
Instituições financeiras passaram a ter dever reforçado de transparência sobre:
Taxas de juros
Custo efetivo total
Consequências do inadimplemento
Proteção contra assédio e oferta irresponsável de crédito
É proibido:
Pressionar idosos para contratar empréstimos
Oferecer crédito sem avaliar capacidade de pagamento
Omitir informações relevantes
Possibilidade de repactuação judicial das dívidas
Esse é o ponto mais relevante.
O consumidor pode ingressar com ação judicial para:
i) Apresentar plano de pagamento
ii) Reunir todos os credores em audiência
iii) Negociar condições que respeitem o mínimo existencial
iv) Parcelar a dívida em até 5 anos
Durante o processo, é possível pedir a suspensão de cobranças abusivas.
O que é o “mínimo existencial”?
A lei não fixou valor fechado, mas o conceito envolve a quantia necessária para garantir dignidade básica ao consumidor e sua família.
Cada caso deve ser analisado individualmente, considerando:
a) Renda mensal
b) Número de dependentes
c) Despesas essenciais
A Lei apaga a dívida?
Não.
A legislação não “perdoa” a dívida automaticamente.Ela cria um mecanismo de reorganização financeira, garantindo condições reais de pagamento.
O objetivo é permitir que o consumidor volte a ter equilíbrio financeiro — sem ser sufocado por juros abusivos ou cobranças desproporcionais.
Quando procurar orientação jurídica?
Você deve buscar orientação se:
Já compromete mais de 30% ou 40% da renda com dívidas
Está pagando apenas juros e nunca reduz o saldo
Sofre cobranças constantes e constrangimento
Não consegue pagar despesas básicas por causa de empréstimos
O superendividamento não é apenas um problema financeiro, é uma questão de dignidade e saúde emocional.
Dessa forma, a Lei nº 14.181 representa um avanço importante na proteção do consumidor brasileiro. Ela reconhece que crédito irresponsável e juros elevados podem levar famílias inteiras ao colapso financeiro.
Se você está enfrentando essa situação, saiba que há mecanismos legais para reorganizar sua vida financeira com segurança jurídica.
Planejamento e orientação adequada podem transformar desespero em solução estruturada.
.png)



Comentários